CLIMA

O Geoparque Seridó está situado dentro da região semiárida do nordeste brasileiro. A circulação atmosférica é influenciada pela Zona de Convergência Intertropical, que atua no verão, e a massa Equatorial Atlântica, que predomina do outono à primavera. Pela classificação climática de Köeppen, o clima da área é do tipo BSw’h (quente e semiárido, tendendo a árido), com precipitações pluviométricas irregulares. De modo geral, são significativas e ocorrem no período de fevereiro a julho, concentrando-se a maior parte, de março a junho. A pluviometria média anual é de 650 mm, evaporação de 1.760 mm e um déficit hídrico de 1000 mm, durante nove meses. O número de horas de insolação tem uma média de 3385 horas/ano. Apresenta temperaturas elevadas com médias em torno de 27ºC, sendo a máxima na casa dos 38ºC e a mínima em torno dos 15ºC. A umidade relativa apresenta valores que variam entre 59 e 76% (Rio Grande do Norte, 2009).

VEGETAÇÃO

A vegetação da área é caracterizada pelo domínio da caatinga, que se apresenta com altos índices de xerofilismo, em razão de um clima extremamente rigoroso, de baixos índices pluviométricos e distribuição irregular, constituindo os tipos Hiperxerófila e Subdesértica. Nesta formação vegetal predominam três tipos diferenciados: um estrato arbóreo predominando aroeira, braúna, imburana, pereiro, algaroba e craibeira; um segundo tipo com galhos retorcidos e espinhosos, atingindo até 3 m de altura, descritas como catingueira, faveleira, pinhão-bravo, jurema, oiticica e marmeleiro; e por fim, um estrato rasteiro, a cerca de 50 cm do solo, formado por xiquexique, macambira e palma de espinhos.

RELEVO

O estado do Rio Grande do Norte apresenta uma grande variedade de formas de relevo, estando as mesmas esculpidas em rochas sedimentares cretáceas da Bacia Potiguar e terrenos mais antigos do embasamento cristalino.

Tomando como base a classificação dos Domínios Morfoclimáticos do Brasil, o relevo potiguar está inserido em dois domínios e uma faixa de transição: Domínio de Mares de Morros, que corresponde aos Tabuleiros Costeiros do Nordeste Oriental; Domínio das Depressões Intermontanas e Interplanálticas das Caatingas, que é constituído, no território estadual, por quatro conjuntos de feições morfológicas principais: superfícies de aplainamento da Depressão Sertaneja; chapadas sustentadas por rochas sedimentares; serras isoladas; e Planalto da Borborema; intercalando esses domínios, existe uma importante faixa de transição morfoclimática, do litoral úmido para o sertão semi-árido, denominado Agreste Potiguar.

As feições de relevo regionais presentes no território do Geoparque Seridó estão contidas no Domínio das Depressões Intermontanas e Interplanálticas das Caatingas, sendo encontrados naquela área sete padrões de relevo, que estão representados no Mapa de Padrões de Relevo do Geoparque Seridó e descritos a seguir:

As superfícies aplainadas degradadas (R3a2) compreendem um conjunto de padrões de relevos planos e suavemente ondulados, resultante de processos de arrasamento generalizado do modelado sobre diversos tipos de litologias, sendo a unidade de maior extensão na área do geoparque. Estas vastas superfícies aplainadas encontram-se pontilhadas por inselbergs (R3b), que aparecem na paisagem como montes isolados, elevando-se, em muitos casos, centenas de metros acima do piso da superfície regional. Na região leste, onde o geoparque faz fronteira com o estado da Paraíba, encontra-se um conjunto de morros e serras baixas (R4b), com desníveis inferiores a 300 m, que junto com a morfologia planáltica (R2b3), mais ao norte, constituem parte do rebordo norte do Planalto da Borborema, representando relevos residuais remanescentes daquele planalto. Em contato com o relevo planáltico, encontra-se a imponente escarpa da Serra de Santana, que representa um relevo de transição entre superfícies distintas alçadas a diferentes cotas altimétricas, apresentando desnivelamento em torno de 400 metros e com deposição de rampas de colúvio e depósitos de tálus na base da escarpa (R4d). A Serra de Santana consiste num platô (R2c), que representa fragmento de uma pretérita superfície de cimeira capeada por arenitos laterizados de idade Neógena da Formação Serra do Martins, com cotas chegando a 750 metros de altitude.

No extremo NE da área do geoparque, encontra-se no limiar do domínio planáltico um conjunto de colinas dissecadas (R4a2), com vertentes convexo-côncavas e topos aguçados, com variação de cotas altimétricas entre 30 e 80 metros, em relação ao piso regional, onde por vezes se encontram campos de matacões, indicando uma predominância do intemperismo físico.

 

 

Mapa de padrões de relevo do Projeto Geoparque Seridó e seus geossítios inventariados (Modificado de Dantas e Ferreira, 2010)

HIDROGRAFIA

O quadro hidrográfico da região é caracterizado por rios intermitentes, porém em alguns casos apresentam-se perenizados em função da ação antrópica verificada com a construção de barramentos ao longo dos cursos de alguns rios. A área de estudo está inserida na Bacia Hidrográfica Piranhas-Açu, contendo os rios Seridó, Acauã e Salgado. Na referida bacia destacam-se ainda os açudes Dourado (Currais Novos), Gargalheiras (Acari) e Boqueirão (Parelhas).

SOLOS

Na região os solos mostram-se, em geral, rasos, com característica pedregosa e fertilidade mediana. Porém, em áreas próximas às margens dos principais rios e no alto da Serra de Santana, apresentam uma maior profundidade, bem como elevada fertilidade. Dentre as principais categorias, destacam-se os Neossolos e os Luvissolos.